aqui a saudade fez meu peito de carne moída o ano inteiro. temperada com o sal das lágrimas e dos espirros que seguem o pranto temporariamente conformado. meu peito gosta de descanso o tanto quanto gosta de se debruçar e erguer o mundo com coragem, fúria, conexão e delicadeza.
pois você foi e é saudade constante. mas acho que algo disso se calou dentro de você. será? foi a monogamia que mandou? o que será? acho que você encontrou um descanso. gosto de te ver descansar. queria ter podido te dar mais descanso.
(…)
isso tudo aqui é só saudade. aperta um mar na bolsa dos olhos de quando em quando, feliz por ter o que ansiar à volta dos abraços nutrientes, triste pelas novas ondas graves pra atravessar até os próximos abraços. a última vez - por ora - que vi o mar e o Rio foi com você. queria multiplicar. mas te cuida. descansa.
em coisa de 2h minha cabeça viajou num portal do tempo de tal jeito que me fez revirar todos os dias rodados de jaleco nessa cidade escutando tanta vida-e-morte-severina.
como no setor mais denso de escutar no mês do meu primeiro festival de inverno…
rezar junto pra se despedirem do que a iatrogenia tornou irreparável… acolher a fúria da não-escuta e ver fotos de cachorro… perceber os olhares de quem busca e não consegue achar onde dormir e ser escutada… uma última troca de riso raro e sóbrio pra encerrar caminho…
(não sei dizer como) captar que uma nova escuta “fora de hora” seria necessária e encontrar, como se previsse, os motivos postos pela última vez… flagrar uma linguagem específica e não documentada se apresentar como possibilidade de caminho, e fazê-la ser conhecida por todos que não sabiam o que escutar, pra desatarem os nós que ataram naquele que temiam…
ouvir de longe que a fúria da não-escuta cansou e esgotou… correr de longe pra escutar o medo ora indizível da dor… me catarem longe pra escutar o susto de virar dois mas assim mesmo quase partir… abrir caminho pras novas perdas soarem o eco do vazio que não cala a síncope. nem a diástole.
escutar mais de perto ainda o ar agora faltando pra caçar jeito… acompanhar os escuros da solidão sobreposta até achar fresta… seguir as quedas, as quedas de sangue e as quedas de luz enquanto se levanta e se perde… descobrir estranhos parceiros das escutas de partida…
parei pra reler alguns relatórios desses dias que pareciam não caber no tempo antes e depois de vivê-los, mas que no seu meio pareciam tão maiores que o próprio tempo como costumamos medir — muitas vezes se tornaram. os relatórios não se delongam na sua inteireza mais impalpável porque foram feitos pra sintetizar o palpável de intervir — o documentável. era também por isso que eu me pegava acostumando de novo com o desenho constante da interrogação e o empurrão concreto que ela tapeia no corpo. “e agora?”
O suldeste hoje sabe dizer muitas coisas. Não, por exemplo. Sabe concentrar o que já tá concentrado há muito tempo na circulação dos sons, nomes, cores, balas e locais. Sabe sorrir de dentes reluzentes e — reza a lenda — inteiros. Sabe destacar o erro de quem deu. Sabe significar um erro. Sabe rebolar a cadência das palavras. Sabe dizer que é lá que Hoje Tem.
O que o topo do Brasil vê é que talvez a capital do pau em brasa não saiba escutar as coisas como são. Ver além do branco e preto. Acolher os acertos de comunhão que só o topo havéra de cometer. Ir direto ao caminho dado pela palavra. Dar a cara dos erros que acusa. Tão rápido, certeiro, tão logo causa — digo, acusa! De quem é a cara deles?
Quanto tempo querem brincar de topo, suldeste? Querem outro café? De novo?
Até quando vão torcer a boquinha pra falar as portas que fecham no topo da cabeça? Até quando vão condescender com o que fazem goela abaixo do topo? O café só pode descer se for servido, mas só feito se tiver vários grãos a moer.
Presentes!
Ou ainda: caprichos queridos de memória! Um presente ao ser lembrada/ter quase ido (Gilmour) e outro por estar de corpo inteiro (Oficina de Coco da Xambá com o Grupo Bongar).
Vienna, Austria-based artist Bogi Fabian uses glow-in-the-dark and black light-reactive paints to transform rooms into otherworldly getaways in distant galaxies, jungles, caves or underwater. While some of Fabian’s murals are partially visible when the lights are on, the walls and floors of some of her painted rooms appear completely blank until the lights go out. In the dark the walls and floors come alive with dreamy glowing colors.
“I am trying to create dreamful atmospheres, paint walls and floors and manage to enlighten my art with and without a source of energy.
Thus, the spectator can experience the result in the daylight as well as in the dark, and in that way enjoy it in all its facets. My goal is to create unique spaces and rooms giving them an identity and a soul, where relaxing and living become an experience.”
so i see art and/or beauty in details and in what might not actually be there.
Essa é a minha imagoteca. O que não exclui o palavreado de que tanto não prescindimos.